Entregadores de Delivery: sua importância e sua realidade

Rapaz vestindo blusa pólo vermelha e usando boné também vermelho fazendo entrega de uma encomenda dentro de uma caixa de papelão feita por delivery

Durante esse período da pandemia do COVID-19, alguns serviços que, se antes não eram muito reconhecidos, agora se tornaram essenciais.

Um exemplo é o delivery: para manter o isolamento social e evitar sair mais vezes do que o necessário, as pessoas estão fazendo pedidos em restaurantes, mercados, farmácias, etc.

Até mesmo estabelecimentos que não funcionavam anteriormente entregando seus produtos passaram a oferecer essa opção.

Como na maioria dos locais há regras diminuindo o número de pessoas permitido nas lojas (alguns lugares são 40% da capacidade, outros lugares 1/3), é uma forma de tentar manter um ritmo de vendas bom sem ir contra as regras de distanciamento social.

O mediador entre o produto na loja e o recebimento na sua casa é o entregador de delivery. Com o advento de aplicativos, os estabelecimentos se inscrevem neles (como Ifood, Rappi, entre vários outros) e, na outra ponta, os entregadores também se inscrevem para buscar os pedidos em diferentes estabelecimentos.

Neste artigo, você vai entender melhor sobre essa profissão dos novos tempos, seus direitos (ou a falta deles) e o impacto durante a pandemia do COVID-19. Confira:

Qual o perfil do entregador de delivery?

Para trabalhar como entregador de aplicativo, só é preciso ter um celular e uma maneira para entregar os pedidos. Há quem tenha moto, bicicleta ou até mesmo utilize serviços de aluguel de bicicleta (presente em algumas capitais brasileiras).

Nada disso é custeado pelo aplicativo, no entanto. Toda a responsabilidade é do entregador. Em alguns casos, é preciso até mesmo pagar pela mochila utilizada na entrega.

Por conta das altas taxas de desemprego, antes e durante a pandemia, ser entregador de delivery se tornou uma forma de renda para quem não consegue emprego formal.

Por exemplo, somente a Rappi registrou aumento de 300% no cadastro de entregadores depois do estouro do coronavírus.

Uma pesquisa da Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista (Unicamp) montou um perfil dos entregadores. A maior parte deles são homens entre 25 e 44 anos, e trabalham em dois ou mais dos aplicativos mais utilizados.

Quais os problemas que os entregadores de delivery possuem?

Os entregadores entraram na categoria de “trabalhadores essenciais” durante a pandemia: eles têm contato direto com pessoas (tanto nos estabelecimentos quanto seus clientes) e estão expostos diariamente ao risco de contrair coronavírus.

Existem também os riscos que eles já corriam antes disso. Já se perguntou porque, próximos de restaurantes e outros lugares de delivery de comida, sempre há vários entregadores juntos?

Além de ser um ponto de descanso, se trata de uma questão de segurança: como carregam celulares e até algum dinheiro, os entregadores temem assaltos e se juntam em grupos para se sentir mais seguros.

Por conta do aumento do número de novos entregadores, eles precisam trabalhar muito mais para conseguir ganhar um salário de subsistência, pois o valor por entrega feita diminui.

Um entregador pode rodar por 12h fazendo entregas e ganhar menos de R$50 no fim do dia.

Na pesquisa feita pela Unicamp, 59% dos entregadores entrevistados tiveram quedas nos ganhos durante a pandemia. Além disso, 62% passaram a trabalhar mais de nove horas por dia.

As empresas dos aplicativos justificaram a diminuição dos valores pagos com o aumento de pessoas desempregadas que recorreram a esta opção para sobreviver durante a pandemia.

Dados reunidos pela consultoria Análise Econômica mostram que o número de entregadores de delivery pulou de 250.000 pessoas em 2019 para 645.000 em junho de 2020, um aumento de cerca de 158%.

Quais são os direitos dos entregadores de delivery?

entregadores de delivery

Não há vínculo empregatício e o entregador trabalha como autônomo. Se ele quiser ter algum tipo de benefício previdenciário, precisa abrir um MEI, por exemplo.

As empresas dos aplicativos de entrega não oferecem suporte suficiente e os entregadores ficam dependendo da boa vontade dos donos do estabelecimento.

Não há local seguro para carregar os celulares (a ferramenta que é utilizada para receber os pedidos), ir ao banheiro, comer, beber água ou até mesmo descansar.

A Rappi instalou os chamados Rappi Points, que é uma espécie de container em estacionamento de shoppings, com banheiro, bebedouro, microondas e local para descanso.

O problema é que essa é a exceção da exceção, pois existem apenas quatro desses pontos no país inteiro.

Além disso, não há remuneração mínima combinada. Os ganhos sempre vêm da quantidade de entregas feitas no período trabalhado (seja o dia todo ou uma quantidade de horas).

Não fica claro quanto o trabalhador recebe por entrega e há uma pressão vinda dos aplicativos quando fazem atualização de contratos. Já que dependendo do dinheiro, os entregadores apenas assinam sem saber exatamente todos os pormenores.

Em 2020 houve diversas manifestações da categoria pelo Brasil para melhores condições de trabalho e mais transparência vinda das empresas de aplicativos.

Não houve mudanças concretas, mas chamou a atenção da população em geral sobre a precarização do trabalho dos entregadores de delivery.

Existe um projeto de Lei correndo na Câmara dos Deputados sobre direitos de entregadores de delivery. Na PL 358/21, de autoria de Altineu Côrtes (PL-RJ), as empresas dos aplicativos seriam obrigadas a garantir pontos de apoio e descanso, adicional de risco, equipamentos de proteção individual (EPI) e seguro de vida coletivo.

Ainda, há a previsão da cobrança de uma taxa de 30% sobre o valor da entrega, como indenização aos trabalhadores pela exposição a risco.

Como posso ajudar os entregadores que recebem pedidos do meu estabelecimento?

Se você possui um estabelecimento que faz entrega por algum desses aplicativos, confira algumas atitudes que você pode ter para ajudar os entregadores durante o dia de trabalho:

Tenha água e banheiro disponíveis: os entregadores trabalharam horas seguidas, por conta dos incentivos dos aplicativos de turnos longos (12h). Ofereça um filtro disponível para que eles possam se hidratar, além de um banheiro que eles possam utilizar e lavar as mãos (importante para evitar contaminação pelo coronavírus e outros microrganismos).

Evite aglomerações: adapte o espaço para que os entregadores fiquem a uma distância segura enquanto esperam o pedido.

Compartilhe informações sobre sua localidade: entregadores são vulneráveis a assaltos, especialmente se fazem entregas altas horas da noite. Divida informações como quais ruas evitar ou quais lugares devem prestar mais atenção.

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